quinta-feira, 22 de agosto de 2013

PT e PMDB caminham para palanque duplo em vários estados

Apesar da tentativa de diálogo entre lideranças do PT e PMDB, a sucessão de Sérgio Cabral no Rio de Janeiro continua sendo o “grande nó” da aliança prioritária firmada entre os dois partidos, com o objetivo de reeleger a presidente Dilma Rousseff em 2014. Em jantar oferecido pelo vice-presidente Michel Temer, na segunda-feira, no Palácio do Jaburu, os peemedebistas evitaram discutir o assunto. Já os petistas colocaram a candidatura do senador Lindbergh Farias como “certa”.
O silêncio dos peemedebistas sobre o tema foi motivado principalmente pela crise de imagem enfrentada por Cabral, que virou um dos principais alvos das manifestações ocorridas em junho. Na avaliação dos colegas de partido, o “derretimento” do governador coloca a sigla em desvantagem na negociação com o PT neste momento. Por isso, os peemedebistas resolveram deixar o assunto para depois.
No encontro, o líder do partido da Câmara, Eduardo Cunha (RJ), foi um dos únicos a lançar mão do discurso da parceria entre os dois partidos no estado. E defendeu que o PMDB espera o apoio do PT neste momento. O presidente do PT, Rui Falcão, rebateu o argumento e avaliou que seu partido tem em Lindbergh uma candidatura mais “competitiva”.
O PMDB, no entanto, ainda se debate sobre que nome lançar. Parte da legenda acredita que o vice-governador Luiz Fernando Pezão, já anunciado como candidato pelo próprio Cabral, pode não ser a melhor opção. “É muito difícil descolar a imagem de Pezão da imagem de Cabral”, disse um dos participantes do encontro.
Diante disso, o PMDB avalia também o lançamento da candidatura do secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, que poderia encarnar a principal bandeira do partido no Rio, a implantação das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs).
Também participaram do jantar no Jaburu o ministro Aloizio Mercadante (Educação), tido como nome certo na campanha de reeleição de Dilma, além dos presidentes da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), e do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). O encontro teve reforço ainda do presidente do PMDB, Valdir Raupp, dos líderes do PT na Câmara, José Guimarães (CE), e do governo no Senado, Eduardo Braga (PMDB-AM). Os senadores Jader Barbalho (PMDB-PA), Wellington Dias (PT-PI), Romero Jucá (PMDB-RR) e Eunício Oliveira (PMDB-CE) selaram a lista de convidados do evento, que teve o objetivo de retomar as conversas sobre as realidades nos estados.
As negociações tinham sido suspensas em junho, por motivo de viagens do vice-presidente Michel Temer e também devido aos protestos que obrigaram o governo a se empenhar em dar respostas às ruas.
No entanto, nem todas as disputas locais foram discutidas na reunião. Os dois partidos planejam novas discussões até o fim do ano. Além disso, Temer, Raupp, Mercadante e Falcão também terão um novo encontro nos próximos dias, antes de se reunirem com Dilma para apresentar a ela um diagnóstico detalhado sobre a situação da aliança em cada estado.
Bahia
A possibilidade de PT e PMDB reproduzirem na Bahia a aliança nacional também é vista como remota pelas lideranças dos dois partidos. O governador Jaques Wagner (PT) já anunciou apoio à candidatura de seu chefe da Casa Civil, Rui Costa. O PMDB, por sua vez, apostará na candidatura do vice-presidente da Caixa, Geddel Vieira Lima (PMDB), que tem buscado apoio do prefeito de Salvador, Antônio Carlos Magalhães Neto (DEM).
A participação de Dilma no palanque peemedebista na Bahia também é considerada impossível. Apesar de ter sido ministro do governo de Lula e ocupar a vice-presidente da Caixa no governo petista, Geddel Vieira Lima foi o personagem principal das inserções do PMDB no rádio e na TV na semana passada. No programa, ele procurou exaltar os prováveis adversários de Dilma, Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB).
Para peemedebistas e petistas, a atitude de Geddel tem como base a eleição de 2010, quando Wagner foi reeleito e o ex-ministro amargou o terceiro lugar. “Nesse ponto, Geddel não deixa de ter razão. Palanque duplo em 2010 não funcionou para ele”, disse um peemedebista presente ao encontro.
Rio Grande do Sul
No Rio Grande do Sul, é certo que PT e PMDB estarão em lados opostos na disputa pelo governo do Estado. Os dois partidos ainda pretendem definir, no entanto, como a campanha nacional tratará os estados com dois palanques para a reeleição da presidente Dilma Rousseff.
Na reunião de segunda-feira, as lideranças nacionais do PT e do PMDB chegaram à conclusão comum de que é necessário dar início a um processo para apaziguar os ânimos entre os dois campos políticos no estado, para evitar constrangimentos mútuos na campanha.
Líderes locais, no entanto, se movimentam no sentido contrário, ampliando a rivalidade. O PT investirá na reeleição do governador Tarso Genro. Já o PMDB avalia dois nomes com fôlego para tomar o Palácio do Piratininga, sede do governo: Germano Rigotto, que governou o estado entre 2003 e 2007, e José Ivo Sartori, que administrou por dois mandatos a segunda maior cidade do Estado, Caxias do Sul.
O fiel da balança poderá ser o PDT, que acabou vencendo a prefeitura da capital com José Fortunati. O prefeito de Porto Alegre tem feito movimentos que ainda deixam dúvidas sobre quem terá seu apoio e o partido também está dividido. Os líderes mais tradicionais na legenda, como Alceu Colares e Romildo Bolzan, guardam excelente relação com a presidente Dilma Rousseff e lutam para levar o partido para o apoio à candidatura petista. Já o deputado Vieira da Cunha fala em se lançar candidato ao governo e, para isso, tem buscado apoio do PMDB local.
Ceará
Embora ainda não assumida publicamente, a candidatura do senador Eunício Oliveira (PMDB) ao governo do Ceará é apontada como certa por seu partido.
O apoio do PT, nesse caso, dependerá de quem obtiver a maioria do partido no estado. De um lado está a ex-prefeita de Fortaleza, Luizianne Lins, presidente do partido no Ceará, que defende candidatura própria. Já o líder do PT na Câmara, José Guimarães, quer levar o PT local para o apoio a Eunício. Em troca, Guimarães terá a garantia de se candidatar à vaga no Senado pela coligação.
Outro fator determinante para a aliança entre PT e PMDB dependerá da atitude de Cid Gomes. Eunício ainda conta com a possibilidade formar chapa com o PSB, mas essa definição só será anunciada em janeiro. “Ele (Cid) nunca disse que não me apoia. Só que a gente combinou de só falar sobre isso no ano que vem”, disse o senador.
Paraná
Já no Paraná, a indefinição tem se concentrado no PMDB. Parte da legenda pensa em candidatura própria e defende o nome do senador Roberto Requião como o mais indicado para a disputa. Outra parte, liderada pelo ex-governador Orlando Pessuti, defende a aliança com o PT e sonha com a vaga de vice na candidatura petista de Gleisi Hoffmann. Já a bancada estadual é aliada do governador Beto Richa (PSDB), que pretende disputar a reeleição.
“O PMDB tem que primeiro se definir no Paraná, para depois a gente ver como é que fica com o PT”, avaliou o senador Romero Jucá, que esteve no encontro.
Pará
Outra definição acertada no encontro foi a de que o PT apoiará a candidatura ao governo do Pará do filho do senador Jader Barbalho (PMDB), Helder Barbalho. Ele é ex-prefeito da segunda maior cidade do Pará, Ananindeua.
A costura entre os dois partidos deixa a vaga para concorrer ao Senado nas mãos do deputado Paulo Rocha (PT), absolvido no processo que investigou o mensalão. A avaliação dos petistas é de que o deputado Cláudio Puty, que havia manifestado sua intenção de disputar o governo, não tem maioria dentro da legenda.
O apoio a Helder Barbalho, anunciado na reunião por Rui Falcão, já havia sido sinalizado aos petistas pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Consenso
Embora as discussões sobre divergências tenham tomado a maior parte das conversas, os pontos de consenso atingiram estados, como a Paraíba, onde o PT apoiará a candidatura peemedebista do senador Vital do Rêgo.
Em Roraima os dois partidos já concordaram Dilma estará em dois palanques: o da senadora Ângela Portela (PT) e o do senador Romero Jucá (PMDB), que também cogita entrar na disputa.
 Por Luciana Lima , iG Brasília

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